Há seis anos conheci o skatista profissional argentino Gonzalo Rodriguez, isso ocorreu na época em que eu treinava todos os dias entre lacunas do meu trabalho e minha faculdade no agora chamado Half Vert House em Santo André.
um corpo que cai

Apesar de não existir half pipe adequado em sua terra natal, Gonzalo com sua base em transições, evoluiu muito rápido no half durante o período em que passou por aqui. Estilo limpo, altura em seus aéreos e manobras bem definidas, é algumas de suas características além de seu carisma positivo.
Gonzalo experimentando o Full Pipe, foto Flávio Nascimento

Em sua volta para o Brasil em uma Tour promovida pela Damage Skateboard e Flat Fit, dessa vez junto com skatista Downhill Speed, pude acompanhar durante 10 dias a sua passagem pelo estado de São Paulo e participar de incansáveis sessões de skate com esses skatistas argentinos, assim colhendo fotos e imagens para essa entrevista com Gonzalo Rodrigues
. Alphavile

Gonzalo Rodriguez, e de 1983, skatista argentino, anda de skate nas modalidades Miniramps, Banks, Bowls e Half Pipe em sua cidade natal Mar Del Plata, Argentina, vive com patrocínios Damaged Skateboards, Flat Fitty s Sygni Longboards
Vamos começar perguntado sobre o skate argentino, como que é lá?
O skate na Argentina é muito bom, tem muita variedade de skate-parks particulares e públicos, mas os picos que predominam mais são as ruas, por ser país novo que conta com muitas escadas e corrimãos "da hora", os streeteiros têm o nível muito bom, além de ter muita criança nova que está pegando forte. Também existem os skatistas mais velhos com muita experiência, que ajudam o futuro da nova geração do skate da Argentina.
Onde treina você?
Em Mar Del Plata, Buenos Aires, e viajo muito para variar as skate-parks e alimentar minha motivação e evoluir cada vez mais.
Muitos skatistas brasileiros vão até a Argentina andar de skate, por quê?
Acho que muitos skatistas brasileiros viajam para a Argentina porque nós gostamos muito do nível do skate brasileiro, além de seu carisma, mesmo do esporte e a irmandade que nos faz andar de skate juntos com nossos irmãos latinos do Brasil, isso significa um crescimento muito profissional. Podemos fazer intercâmbio cultural e vivenciar incríveis roles com skatistas do Brasil, que definitivamente são nossos vizinhos mais talentosos da América Latina.
Quais são os skatistas brasileiros com quem você curte fazer sessão?
Eu curto de todos, mas por sorte e tenho o prazer de conhecer e fazer sessões com: Sandro Dias, Bob Burnquist, Edgard Vovô, Eduardo Braz ,Otavio Neto, Sergio Negão, Piuí, Andre Civinski, Lécio Batista, Rodrigo Rosalez, Crisitianos Mateus Lincoln Ueda e muitos outros skatistas que não me lembro agora, espero ficar em meu coração, e que marcaram muito minha personalidade, estilo na hora de levar o skate nas skate-parks onde eu treino.
Quantas vezes você veio para o Brasil e como foi a primeira vez?Eu já viajei para o Brasil nove vezes e ainda tenho vontade de voltar muitas vezes mais. Na primeira vinda para o Brasil foi a Novo Hamburgo no Rio Grande do Sul, onde conheci a fábrica da Qix e fiquei na casa dos skatistas da qix e depois fui até Qix Skate Park. Mais tarde viajei para o Half vertical do TONEL, em que ainda me lembro do carisma desse cara de quando ele me recebeu.
Como foi essa última trip?
Minha última trip foi incrível; sempre existem novas pistas de skate no Brasil, tive a sorte de conhecer São Bernardo do Campo, e de ter a oportunidade de ser recebido por Piuí, que foi encarregado de coordenar a Tour em São Paulo, e além de podermos conhecer o litoral norte, tivemos o prazer de fazer uma Demo para a escola de skate da pista de São Bernardo e de também ter conhecido alguns skatistas locais como Ricardo Tossi (Ricardinho), e Gilberto Cossia (Giba), que é além de ser um grande skatista old school, é também um profissional do skate downhill experiente no Brasil e no mundo todo.
Como você foi recebido pelo skatistas brasileiros?
Muito bem, apesar de todo mundo conhecer o preconceito que o futebol gera para os argentinos, mas essa história muda na hora de andarmos de skate juntos e tudo vira irmandade pura e ninguém compete com ninguém e todos aprendemos juntos na mesma pista e desfrutamos do nível de nossos irmãos latinos sem rancores.
Quais os lugares novos que conheceu?
Primeiro fui a Florianópolis no Half Pipe de Pedro Barros, já na grande São Paulo conheci a pista reinaugurada de São Bernardo do Campo, Pista pública de Santo André ainda inacabada, e no litoral fui na Pista do Quebra-mar, na Pista Palmares e Chorão Skate Park em Santos, e no Litoral Norte andei bastante em Boiçucanga e São Sebastião.
O que você achou do litoral de São Paulo?
O litoral é paradisíaco, é um dos melhores lugares do mundo pra mim e tem os melhores skate-parks que eu vi no Brasil, pouca gente para lotar as pistas, deixando a área livre só pra mim (risos), além de existir as mais lindas que eu já vi, com a cor da água incrível, não esqueço das cosias engraçadas que aconteceram lá.
O que você mais curtiu?
São Bernardo do Campo foi o parque que quebrou minhas pernas todas, e agora sou um cara aleijado por causa disso (risos), mas voltaria a fazer o mesmo role.
Quanto tempo você pratica downhill speed e porque começou?
Faz só sete meses que pratico downhill e comecei com a finalidade de refrescar a mente com algum esporte alternativo do segmento skate em que a velocidade é o fator principal que mantém minha mente em paz e fico como um louco do downhill ainda sem macacão (roupa de segurança igual à dos pilotos de moto speed)
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O que você achou das ladeiras daqui?
Eu achei incríveis as ladeiras que eu conheci no Brasil, sem dúvida, e que tem que ter muita coragem, porque você pega muito gás e pode até perder a vida de verdade, como quase aconteceu na ladeira de "Pé no Chão" de Alphavile em São Paulo, são 2,1 quilômetros de decida a 100 km/h, lá presenciei um acidente na hora do treino, em que o skatista perdeu o controle na última curva da ladeira e desceu reto morro abaixo, graças a Deus não houve uma fatalidade. Lá também encontrei skatistas experientes que já competiram em Teutônia, no Rio Grande do Sul, que é o circuito mais rápido do mundo.
Você andou por várias cidades e pistas de skate, o que ficou faltando? Na próxima tour aonde gostaria de ir ainda?
Na minha próxima tour irei direto para São Bernardo do Campo, e treinar na full pipe para realizar o loopping, ou morrer tentando para ficar em um mural dentro do parque (risos).
Quando pretende voltar?
No começo do próximo ano, eu volto para o Brasil.
Agradecimentos: Piuí, Rafael, Rodrigo Bala, Jackie, Damaged Skateboards, Sebastian Perez, meus pais e a "Batida perfeitaaaaaaaa" (frase marcada pelo um skatista "crazy" local de São Sebastião).
Por
Flávio Nascimento Piuí
Post
Uriel Punk