A idéia original era uma tradicional entrevista, de perguntas e respostas, porem as respostas estão em total sincronia com as perguntas então são irrelevantes no contexto, então ai vai, só as respostas, para sua reflexão, diretamente da reflexão de Alexandre Kawakami Gonçalves Costa. Entrevista e fotos Leandro Pires

Meu nome é Alexandre Kawakami Gonçalves Costa, conhecido como "
China".
Comecei a andar de skate há mais ou menos 17 anos, mas não foram anos consecutivos, parei em algumas épocas pra fazer outras coisas.
Gosto de shapes de tamanho médio sem muito concave, rodas 5.0., eixos baixos e rolamentos tem que ser gringos (ainda tem que ser).
Tenho apoio de shapes da
Adapt skateboards, o
Fernando da People Sports me descola uns "caps" pra tampar a cabeleira (rsrs), e estou com recente apoio de tênis da
Zooyork.
bS Nose Slide
Uma das coisas que eu aprendi durante anos andando de skate nas ruas, é que a liberdade não tem preço. Pra mim, o importante na vida é ser eu mesmo e buscar coisas que realmente me satisfaçam independente de ter aprovação alheia ou não. O meu
habitat natural é na rua, experiências que eu tive andando de skate ou não foram lições pra vida toda, além de eu ver o skate como uma forma de arte e me sinto interagindo com o meio urbano quando estou na rua, sempre acaba acontecendo algo inusitado e eu gosto disso, o feeling de acertar uma manobra em um lugar que é não feito pra andar é algo que eu nunca vou ter em uma pista, mas nada contra....não sou inimigo dos pistoleiros e nem tenho gangue ou coisa do tipo...rsrsrs.
Uma vez eu estava fazendo um solo sozinho em um pico da zona norte, e eu achava que estava em casa, local , tudo, essas coisas.....tava de mochila e deixei ela em um canto meio mocado, pensei: ninguém é louco de mecher..só que em S.P. tem louco em todo lugar....um moleque do interior que eu nunca tinha visto me perguntou se podia filmar umas tricks com o celular dele, eu não estava fazendo nada , então eu disse que sim e começamos a filmar uma linha..aí eu me empolguei e acabamos parando lá na outra ponta , do outro lado da mochila...quando voltei minha mochila com todos meus doc`s e vários artigos não estavam mais lá.....perguntei se os seguranças tinham visto algo e eles tiraram o deles da reta...então fui pra favela do lado do pico sem camisa ver se eu negociava minha mochila de volta, achei que era alguém de lá, mas foi viajem perdida. Voltei desolado pro pico sem camisa, bermuda e skate, já era noite e eu estava sem cash pro busão, então eu tive que pegar o bumba sem camisa no horário do pico, muito frio sem minhas coisas....acho que essa foi a top 1 das roubadas de board. (rsrsrrsrs).
Trabalho dia e noite

Desde pequeno eu tive a oportunidade de assistir vídeos da Plan B, World Industries, e já achava um flip difícil... Quando eu vi os caras fazendo um mix com manobras em bordas fiquei impressionado e achava aquilo uma espécie de mágica, quando eu encaixei o primeiro flip noseslide na minha vida (que eu nem sei mais fazer hoje) vi que o impossível era possível e a sensação de combo é muito louca....raciocinar 2 em 1, ou mais é um exercício muito louco pra mente e eu adoro, a sensação do acerto supera todas as tentativas anteriores que geralmente saem nada ver...é como uma expressão algébrica. Um problema solucionado.... Eu gosto.
Skatista de alma pra mim é aquele que prioriza o skate na sua vida acima de todas as dificuldades, fome, frio, falta de grana, preconceitos, aceitação de família, namorada, sacho que quando você anda sozinho em uma praça sem ninguém, ninguém mesmo, só você, Deus, seu skate, seus planos, suas manobras, você, está fazendo por você, pela sua evolução, acho que quando não existe ninguém pra aplaudir, gritar ooowww, e você sente a mesma vontade de andar, se superar de qualquer situação de skate, você é skatista de alma, respira skate, sonha com tricks e faz de tudo pra descobrir novos spots e aumentar seu arsenal de tricks ou aperfeiçoar as mesmas de sempre.
fS Hellflip Tailslide 

Eu vejo skate como arte e estilo de vida, então sempre admirei os caras que faziam a linha de frente em vídeos lá na gringa sempre mostrando um outro lado do skate não competitivo, mas em que o skater dava o máximo de si pra mostrar que o skate não tem limites, padrões ou uma formula certa de andar. acho que a partir daí comecei a entender que não existe o melhor entende? não tem como comparar o estilo de um com o de outro. Cada um tem sua essência, sua preferência, seu spot favorito. então, percebi que tinha muito cara que não ligava pra esse lance de ser popstar mas amava o board , e o conjunto dessas idéias faziam o cara ser único, autêntico e isso tinha que ser registrado. Acho que a filmagem transmite o q realmente aconteceu e são momentos da nossa estória que vão ser perpetuados pra sempre....é legal ter um acervo pessoal, uma parada pra mostrar pro seu filho no futuro.....acho legal.

São formas diferentes de capturar um momento, são formas de registro diferentes...a filmagem para mim mostra o movimento, como o cara é, o q ele fala, seu jeito, cacoetes e etc.; a fotografia é mais a plástica da manobra , os moments que são bem loucos...ah...não tem como comparar...uma coisa é uma coisa e outra coisa é outra coisa..rrsrsss
Depende....se o ambiente é mais natureza eu gosto de observar o som natural do local, tipo o mar, os bichos do point e tal...em sampa eu não gosto muito de ouvir a radiação dos mendigos , carros, ônibus e motoristas estressados, então eu ligo um jazzinho, umas bases, a tribe, e tento ficar chilling , mas se a trick for com o eixo é legal ouvir ele comer. aí eu prefiro o mute...rsrsrs
Gosto de lugares amplos....que dão tempo de pensar o q fazer entre uma trick e outra....a ETEC no Carandiru é bem legal. o solo, as pessoas, as bordas, hidrante....tem um pico em Mongaguá q fica entre um rio e a praia q tem uns manuals e bordas q eu amo...é muito sossegado...anda de board, ai pra água.....o ritmo é esse, da hora...
DEUS, meu pai, eu te amo véio!! Nosponsor Crew,....Delei,, Rafa, Ale, Ivan, Léo do quiosque de salgados em santana livrou varias, Lucas, Leandro da Zakki, André Amaral r.i.p., Betinho, Bizoca, Leandrão lausane, pessoal do n.a., B.S. Crew, Gian, formiga, pessoal do vale, o salgadinho fiscal dos onibus do terminal Santana...proporcionou varias tours por S.P. valeuuuuuu!!!
Confira muita técnica e skate no pé!